| | | | | |
SOMDAGEM


UTILIZAÇÃO PRÁTICA DAS SONDAS NASOGÁSTRICAS, NASOENTÉRICAS E VESICAIS DE ALÍVIO E DE DEMORA.


Damiani D1, Wilhelm D1, Tomaz JP1, Arruda JAP1, Hilton M1, Lopes NG1 , Baptistella P1, Reis N1, Morais MG1, Chagas MBM1.


1- Acadêmicos de Medicina da Universidade Nove de Julho – São Paulo.




INTRODUÇÃO


A sonda é um instrumento para ser introduzido em um canal ou numa cavidade para fins propedêuticos (determinar a presença de estenose, corpo estranho ou uma outra situação mórbida) e também terapêuticos. Pode ser fina e flexível para explorar ou dilatar um canal natural ou rígida, geralmente com uma extremidade pontiaguda, para separar tecidos de dissecação.

A sondagem é um método muito utilizado e eficiente em pacientes em situações delicadas, preferencialmente em ambiente hospitalar. Ela pode ser utilizada no pré-operatório, por exemplo, para fazer esvaziamento gástrico, durante cirurgias para administração de medicamentos e esvaziamento vesical; no pós-operatório para exercer funções que o corpo ainda não está apto a realizar e também no caso de perda de funções vitais como por exemplo num indivíduo paraplégico que não possui reflexos vesicais.

Sondagem Nasoentérica: inserção de uma sonda plástica ou de borracha, flexível, podendo ser curta ou longa, introduzida pelo nariz para: descomprimir o estômago e remover gases e líquidos; diagnosticar a motilidade intestinal; administrar medicamentos e alimentos; tratar uma obstrução ou local com sangramento; obter conteúdo gástrico para análise.

Sondagem Nasogástrica: A sonda nasogástrica ou sonda curta é introduzida através do nariz até o estômago. As mais usadas são: sonda de Levin, Nutriflex, Moss e a Sengstaken-Blakemore (S-B).

Sondagem Vesical: No paciente com distúrbio urológico ou com função renal marginal, deve-se ter cuidado para assegurar a adequação da drenagem urinária e preservação da função renal. .Quando a urina não pode ser eliminada naturalmente sendo drenada artificialmente, os cateteres deverão ser introduzidos diretamente na bexiga, ureter ou pelve renal.

Autocateterização Intermitente: Proporciona drenagem periódica da urina. É o tratamento de escolha após lesão medular (TRM – Figura 1 a 8) e outros distúrbios neurológicos nos quais há comprometimento na capacidade de urinar. São necessárias técnicas assépticas durante o treinamento intra-hospitalar do paciente e o procedimento propriamente dito, devido ao risco de contaminação cruzada. O paciente pode utilizar uma técnica "limpa" (não-estéril) em casa, onde o risco de contaminação cruzada é menor. A autocateterização promove independência, resulta em poucas complicações e permite relações sexuais mais normais.

APRESENTAÇÃO DAS SONDAS


SONDAGEM VESICAL ALÍVIO E DE DEMORA (SISTEMA FECHADO DE DRENAGEM)



SONDA DE ALÍVIO



SISTEMA DE DRENAGEM VESICAL FECHADO





SONDA GASTRO – INTESTINAL Dobbhoff

AUTO-CATETERISMO EM TRAUMA RAQUIMEDULAR E PACIENTES SONDADOS


















Auto-cateterismo mostrado em homem (Figura 1, 2, 3 e 4) e em mulheres (Figuras 5, 6, 7 e 8). Ambos com lesões raquimedulares e bexiga neurogênica.

Os pacientes mostrados abaixo foram selecionados no Instituto da Criança do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da

Universidade de São Paulo – ICr – HC FMUSP. Todos os pacientes (menores de idade e internados na Unidade de Terapia Intensiva – UTI) tiveram autorização de seus familiares para que pudéssemos apresentá-los neste trabalho.





#1. PHS, menino de 8 anos de idade com hepatite fulminante. Submetido a tratamento com sonda nasogástrica (Figura 9 e 10).





#2. FPS, menino de 5 anos de idade com doença metabólica a esclarecer foi submetido a uma gastrostomia (Figura 11 e 12).





#3. LFD, menino de 4 anos de idade submetido a transplante hepático. Pós operatório realizado em UTI. Paciente foi submetido a sonda nasoentérica (observada no raio-X - flechas) e vesical (sonda de Foley) (Figura 13 e 14).

RISCO DE INFECÇÕES


A presença de um cateter de demora pode levar à infecção. Os patógenos responsáveis pelas infecções do trato urinário associadas ao cateter incluem Escherichia coli, Klebsiella, Proteus, Pseudomonas, Enterobacter, Serratia e Candida.

Os cateteres impedem a maioria das defesas naturais do trato urinário inferior através da obstrução dos dutos peri-uretrais, irritando a mucosa vesical e promovendo uma via artificial para a entrada de organismos na bexiga (Figura 15).

Quando utilizamos cateteres, os microorganismos podem ter acesso ao trato urinário por 3 vias principais:

1) Por introdução da uretra para a bexiga no momento da cateterização;

2) A partir da delgada camada de líquido uretral externo ao cateter na interface cateter-mucosa;

3) Mais comumente, por migração para a bexiga ao longo da luz interna do cateter após contaminação.

Por isso (devido aos riscos de infecção), o paciente com um cateter de demora é avaliado quanto aos sinais e sintomas de infecção do trato urinário: urina turva, hematúria, febre, calafrios, anorexia, e mal-estar.

Além disso, determinados princípios são essenciais nos cuidados de um sistema fechado de drenagem urinária, de modo a prevenir essas indesejáveis infecções.


Figura 15. Infecção da bexiga urinária – cistite hemorrágica focal – por presença de catéter vesical. Observe a exsudação inflamatória.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


• Koch RM, Paloschi IM, Horiuchi LNO, Walter R, Ribas MLW. Técnicas Básicas de Enfermagem. Curitiba. 18º Edição, 2002.

• Netina SM. BRUNNER – Prática de Enfermagem – Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2003.

• Beeson, McDermott, Wyngaarden. Cecil: Textbook of Medicine. Volume 2. Rio de Janeiro: Interamericana, 2004.

• Dewer AD. The chronic indwelling catheter and urinary infection in long-term-care facility residents. Infect Control Hosp Epidemiol, 2001. 22(5): 316-321.