| | | | | |

HORMÔNIOS HIPOFISÁRIOS E SEU CONTROLE PELO HIPOTÁLAMO

Glândula hipófise e sua relação com o hipotálamo:
- Hipófise = glândula Pituitária.
    - Situada na sela túrcica do osso esfenóide, conectada ao hipotálamo pela haste hipofisária (região túbero-infundibular).
    - Divisão da hipófise:
        - Adenohipófise (anterior) – recebe conexão hipotalâmica do núcleo arqueado;
        - Neurohipófise (posterior) – recebe conexão hipotalâmica dos núcleos supra-óptico e paraventricular.

- Origem:
  - Adenohipófise: da bolsa de Rathke que é uma invaginação do epitélio da faringe. Imagina-se hoje que ela também tenha origem ectodérmica fazendo parte do sistema APUD.
  - Neurohipófise: da proliferação do hipotálamo (ectodérmica).


A figura acima mostra os tipos celulares da pituitária e suas funções secretoras.

Lembrete:
Cerca de 35% das células adenohipofisárias são somatotróficas;
Cerca de 20% das células adenohipofisárias são corticotróficas e 3-5% são os demais tipos celulares.

Os hormônios secretados pela neurohipófise são sintetizados pelos corpos celulares que não estão presentes na glândula pituitária, mas nos núcleos supra-ópticos e paraventriculares do hipotálamo.

Controle da Secreção Hipofisária pelo Hipotálamo

- Secreção hipofisária é controlada pelo hipotálamo.
- A neurohipófise tem seu controle regulado por sinais nervosos, já a adenohipófise é regulada pelos fatores de inibição e fatores de liberação secretados pelo próprio hipotálamo e transportados por vasos sangüíneos pelo sistema de vasos porta hipotalâmico-hipofisários.
- O hipotálamo recebe todo tipo de sinal possível: dor, depressão, excitação... Até mesmo concentrações de eletrólitos na corrente sangüínea.

Sistema de Vasos Porta Hipotalâmico-Hipofisários

- Sangue antes de atingir a adenohipófise (muito vascularizada) passa por uma porção bem inferior do hipotálamo = eminência média que se conecta com a haste hipofisária atingindo a adenohipófise.
- As secreções hipotalâmicas de fatores de inibição e de liberação atingem a eminência média seguindo para adenohipófise pela haste hipofisária.

Hormônios de liberação e inibição hipotalâmica

Hormônio Secreção Hipotalâmica Secreção Hipofisária
Hormônio de Liberação da Tireotrofina TRH TSH
Hormônio de Liberação das Corticotrofinas CRH ACTH
Hormônio de Liberação do Hormônio do Crescimento GHRH GH
Hormônio de Inibição do Hormônio do Crescimento GHIH (Somatostatina) GH
Hormônio de Liberação das Gonadotrofinas GnRH LH e FSH
Hormônio de Inibição da Prolactina PIH PRL

Funções Fisiológicas do GH

- Exerce função sobre quase todo o organismo.
- Provoca crescimento de todas as partes aptas a crescerem; promove o aumento do tamanho das células e do número de mitoses.

Efeitos Metabólicos do GH – Proteínas

- Aumento da síntese protéica em todas as células;
- Mobilização dos ácidos graxos dos tecidos adiposos aumentando-os na circulação sangüínea (“poupador de proteínas”);
- Diminuição da taxa de utilização da glicose por todo o organismo.

Obs. A mobilização de gordura pode ser tão elevada podendo ocasionar aumento do ácido aceto-acético = cetose (vide “Bioquímica – Principais Vias Metabólicas”).

Efeitos Metabólicos do GH – Carboidratos

- Diminuição da utilização de glicose: provavelmente pelo aumento da Acetil-CoA = aumento de ATP = diminuição da atividade da FFK (fosfofrutoquinase).
- Acúmulo de glicogênio.
- Aumento da glicemia = “Diabetes hipofisário”.
- Efeito diabetogênico – aumento da insulina devido à alta glicemia.

Estimulação do Crescimento da Cartilagem e do Osso

- Deposição de proteínas nas células condrocíticas e osteogênicas.
- Alta taxa de reprodução destas células.

Mecanismo de Crescimento:
- Estímulo de osteoblastos – aumento da espessura. Exemplo: mandíbula; crânio.
- Crescimento nas epífises – comprimento ósseo.

Obs. Ocorre primeiro o método de crescimento nas epífises (comprimento) e depois o método do crescimento em espessura.

 Hormônio de crescimento executa sua função através de formações (no fígado) de substâncias intermediárias = somatomedinas: possuem efeito semelhante aos da insulina no crescimento, por isso, são fatores de crescimento semelhantes a insulina (IGF).
 Há dois tipos de fatores: IGF-I e IGF-II.
 A somatomedina mais importante é a somatomedina C = IGF-I.
Mesmo com o GH alto, se a concentração de IGF-I não for alta, não haverá crescimento.

Regulação da Secreção do GH

1. Inanição (deficiência protéica grave);
2. Hipoglicemia ou diminuição dos ácidos graxos no sangue;
3. Exercício;
4. Traumatismo;
5. Excitação.

Somatostatina

- O mesmo que GHIH;
- Inibe a secreção do GH;
- Inibe as células alfa e beta do pâncreas endócrino.
- Secretada pelo hipotálamo e pelas células delta do pâncreas.
- Em resumo: aumento do GH – em casos de inanição ou exercício físico intenso.

Patologia

- Nanismo: deficiência generalizada da hipófise anterior durante a infância (pan-hipopituitarismo).
- Gigantismo: aumento da secreção de GH durante a infância e adolescência.
- Acromegalia: aumento da secreção de GH na fase adulta.

Glândula Hipófise Posterior e sua Relação com o Hipotálamo

- A neurohipófise recebe sinais dos núcleos supra-ópticos e paraventriculares do hipotálamo e por exocitose libera seus hormônios.
- A neurohipófise contém grânulos de secreção contendo ADH e Ocitocina.
- O ADH é formado pelos núcleos supra-ópticos já a Ocitocina é formada pelos núcleos paraventriculares.
- Funções Fisiológicas:
    - ADH : hormônio antidiurético = ativam AMPc e na sua presença a membrana celular torna-se permeável, aumentando a retenção de líquidos. Há uma regulação do ADH por regulação osmótica: osmorreceptores (células com água que diminuem seus volumes).
    - Ocitocina: contrações uterinas (útero gravídico); ejeção de leite – reflexo de sucção originando o reflexo de ejeção.