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SISTEMA LÍMBICO E MEMÓRIA
- Límbico = “marginal”.
- A conexão entre o tronco encefálico e o cérebro origina uma região
denominada área facilitatória bulborreticular recebendo aferências da periferia
com conexão em sentido duplo com o cérebro.
- O processamento da memória ocorre por reverberação de sinais nervosos
tálamo-cortical.
- Área inibitória reticular: responsável pela diminuição da atividade
da área facilitatória bulborreticular via aumento da serotonina.
Sistema Neurohormonal da Regulação Cerebral
- Noradrenalina e Lócus ceruleus – aumento da atividade cerebral.
- Substância negra e Dopamina.
- Núcleos da Rafe e Serotonina.
- Núcleos Gigantocelulares da área excitatória reticular e Acetilcolina.
Sistema Límbico
- Sistema responsável pelo controle emocional do comportamento.
- Correlaciona-se complexamente com o hipotálamo, com o núcleo accúmbens, com
o complexo amigdalóide, tronco cerebral, tálamo, hipocampo, giro parahipocampal,
giro do cíngulo (istmo), giro órbitofrontal, núcleos basais de Meynert,
striatum, fórnix e córtex cerebral como um todo, com destaque para o lobo
temporal.
- Comunicação entre o tronco cerebral e o sistema límbico: feixe
prosencefálico medial (bidirecional) e fórnix (fascículo mamilo-talâmico –
trato de Vicq d´Azir ).
- Hipotálamo: conecta-se com o tronco e com o sistema reticular
ativador ascendente (SRAA). Há conexões entre o infundíbulo e a hipófise como
também entre o diencéfalo e os hemisférios cerebrais.
- Funções vegetativas e endócrinas:
- Conexões do sistema límbico: responsável pelo comportamento
emocional.
- Conexões viscerais: sistema nervoso simpático e parassimpático.
- Hipófise: núcleo supra-óptico (ADH), núcleo paraventricular
(ocitocina e ADH), núcleo arqueado (fornece estímulos para a adenohipófise).
- Núcleos hipotalâmicos: regulação da diurese, da sede, temperatura e
controle do apetite.
Função de “Recompensa” e “Punição” do Sistema Límbico
- Emoção: trata-se de uma experiência subjetiva em curto prazo.
- Humor: experiência subjetiva emocional persistente, sustentada.
- As emoções positivas são aquelas que ativam mais proeminentemente o lado
esquerdo do córtex pré-frontal, já as emoções ditas negativas, apresentam uma
maior ativação do lado direito do córtex pré-frontal.
- Centro da Recompensa: núcleos cerebrais se interconectam pelo feixe
prosencefálico medial (núcleo lateral e ventromedial do hipotálamo).
- Centro da Punição: regiões de substância cinzenta periventricular
inibem os centros do prazer e da recompensa.
- A motivação origina-se do balanço positivo entre a recompensa e a punição.
- Há traços fortes de memória para experiências que trazem recompensa ou
punição.
Funções Específicas do Sistema Límbico
- Hipocampo: realiza conexões com o hipotálamo, complexo amigdalóide,
núcleos septais (área septal) e corpos mamilares. Suas eferências, dentre
outras, ocorrem via fórnix. Quando o hipocampo torna-se hiperexcitável, devido à
sua histologia peculiar – 3 camadas celulares ao invés de 6, encontradas no
córtex – fica mais sujeito a convulsões com alucinações olfatórias, auditivas e
ou visuais.
Hipocampo e Aprendizagem: a ausência do hipocampo mantém a memória
retrógrada mas torna impossível o novo aprendizado (memória anterógrada). Lesões
nesta região causam amnésia anterógrada. O hipocampo informa o córtex cerebral
da importância de se repetir determinada informação – consolidação da memória.
- Complexo Amigdalóide: possui aferência de todo o sistema límbico bem
como do lobo temporal, frontal, parietal e occipital. As estimulações aos
núcleos do complexo amigdalóide simulam os efeitos das estimulações
hipotalâmicas já que as eferências do complexo amigdalóide ocorrem
principalmente através do eixo hipotálamo-hipofisário. Este complexo de núcleos
esta relacionado com comportamentos sociais relacionados ao estado de “luta ou
fuga”. Geralmente, toda descarga do complexo amigdalóide envolve uma situação de
agressividade com atenuação dos efeitos pelo córtex pré-frontal. Lesões no
córtex pré-frontal, observados em detentos, muito agressivos, mostram uma
incompetência do córtex pré-frontal em atenuar os comportamentos agressivos
originados no complexo amigdalóide. Indiretamente, via hipotalâmica, o complexo
amigdalóide ajusta os sistemas biológicos para reações de alarme: alteram
freqüência cardíaca, freqüência respiratória, motilidade do trato
gastrointestinal, midríase e secreções hormonais. Além do componente emocional,
o complexo amigdalóide gera movimentos involuntários, ovulações, masturbações,
ereção e atividade uterina.
Na síndrome de Klüver-Bucy (ablação bilateral do complexo amigdalóide) há
tendência excessiva a examinar os objetos oralmente, perda do medo, padrão de
agressividade diminuída (mansidão) e impulso sexual excessivo.
Localização Anatômica do Complexo Amigdalóide – Reconstrução por Ressonância
Nuclear Magnética.
Principais vias aferentes, eferentes e interconexões do complexo
amigdalóide.
Função Global do Complexo Amigdalóide
- Trata-se de uma região de percepção comportamental que opera em nível
inconsciente.
- Padroniza as respostas comportamentais adequando o indivíduo à sociedade.
Principais Conexões Aferentes e Eferentes dos Núcleos Septais – São núcleos
subcorticais implicados na regulação das respostas emocionais. Desempenham
importante papel no comportamento emocional (sexual, agressividade) bem como na
modulação das funções autonômicas e nas funções de atenção e memória (vias
colinérgicas).
Função do Córtex Límbico
- Trata-se de uma área cortical de associação para o controle do
comportamento. Envolve uma circuitaria com diversos núcleos cerebrais descrito
por Papez e, sendo denominado Circuito de Papez. É um sistema que responde às
ameaças sofridas pelo organismo.
- Ablação do córtex temporal anterior desencadeia a denominada síndrome de
Klüner-Bucy (já comentada);
- Ablação do córtex frontal orbital superior desencadeia insônia e
inquietações;
- Ablação do giro do cíngulo anterior e giro subcaloso originam um
comportamento de raiva.
- As emoções inconscientes são atribuídas ao complexo amigdalóide e ao
sistema nervoso autônomo – via eferente de resposta do complexo amigdalóide.
- Todo movimento que realizamos, toda memória evocada, todo padrão de
comportamento passa de alguma forma por este circuito límbico, sendo ajustado e
influenciado pelos núcleos correlacionados.
- O próprio sistema imunológico esta sob influência direta do sistema nervoso
autônomo e sistema límbico. Um estresse mantido gera, comprovadamente, doenças
consideradas auto-imunes como diabetes mellitus tipo 1 e tipo 2, obesidade,
instabilidade emocional, interferências nos processos de memória e aprendizado.
O comportamento e os fatores químicos liberados pelo hipotálamo – modulações
imunológicas. As citocinas como as interleucinas, atravessam a barreira
hematoencefálica na região hipotalâmica, atuando sobre os núcleos reguladores da
homeostasia.
Componentes do Sistema Límbico e Circuitaria Neuronal
Há formação de um anel ao redor do diencéfalo. O hipocampo e suas vias
(fórnix) projetam-se para o pólo anterior do diencéfalo. Os núcleos amigdalóides
originam a estria terminal, uma projeção em forma de C para o hipotálamo e
estruturas basais do cérebro anterior. O trato olfatório comunica-se diretamente
com o córtex e com o hipotálamo. Conexões provenientes dos núcleos septais
projetam-se para habênulas interconectando o cérebro límbico anterior com o
tronco encefálico.
Estruturas Associadas ao Sistema Límbico – Resumo
Sistemas de Memória
- Aprendizado: Aquisição de novos conhecimentos.
- Memória: retenção da informação apreendida.
- Há diversos tipos de memórias:
- Memória Declarativa (explícita): trata-se da memória para fatos e eventos
recentes. Localiza-se anatomicamente no lobo temporal. A memória declarativa é
mais fácil de ser formada mas também mais fácil de ser esquecida.
- Memória Não-Declarativa (implícita): trata-se da memória relacionada a
procedimentos motores (andar de bicicleta – localizada no striatum),
condicionamento clássico (respostas emocionais – complexo amigdalóide e resposta
muscular como piscar dos olhos – cerebelo), aprendizado não associativo
(reflexos medulares) e memória de início (influencia da apresentação
inconsciente de elementos - neocortex).
A memória não-declarativa é mais complicada de ser esquecida, para seu
aprendizado necessita de repetição inicial.
Modelo de consolidação da memória: o lobo temporal interno exerce
papel de ligação temporária entre múltiplas zonas do neocórtex que armazenam uma
representação do acontecimento vivido. (1) A ativação conjunta e repetida destas
regiões por intermédio do lobo temporal interno cria e reforça gradualmente as
interconexões neocorticais. (2) Quando a consolidação se completa, as
interconexões que representam o acontecimento tornam-se permanentes. A
reativação da lembrança é, então, independente do lobo temporal interno. (3)
Mecanismo de consolidação explica a preservação da memória antiga quando o lobo
temporal interno é acometido, a preservação de lembranças recentes em casos de
lesões neocorticais (demência semântica) e a perturbação global das lembranças
quando as lesões afetam as duas regiões (encefalites).
Memórias de Longa e Curta Duração
- Memória de Longa Duração: podemos recordar horas, dias, meses ou anos após
as informações terem sido armazenadas.
- Memórias de Curta Duração: duram alguns segundos ou no máximo, poucas horas.
Obs. Traumatismos geralmente acometem a memória de curta duração, não a de
longa duração, exceto nas lesões mais graves com perda de massa encefálica de
determinadas regiões. Mas nas concussões cerebrais, o mais freqüente e
observarmos uma amnésia para fatos recentes.
* A consolidação da memória é o processo que transforma as memórias de curta
duração em memórias de longa duração. *
- Amnésia: há dois tipos descritos de amnésia mais comuns – Amnésia
retrógrada com acometimento da memória de longa duração e a amnésia anterógrada,
aquela com dificuldades de formação de novas memórias bem como esquecimentos de
fatos que aconteceram muito precocemente (momentos anteriores ao traumatismo
cranioencefálico, por exemplo).
Anatomia da Memória
- O lobo temporal armazena traços da memória declarativa: o hipocampo
armazena memórias de média duração, sendo fundamental para a consolidação da
memória. Após a consolidação da memória na região do hipocampo, estas
informações são transferidas para outras regiões do córtex cerebral (neocórtex).
- As regiões do hipocampo responsáveis pela consolidação da memória são
chamadas de cornos de Amon – regiões CA, subdivididas em subregiões denominadas:
CA1, CA2, CA3, CA4.
- As regiões envolvidas com a consolidação da memória: hipocampo (CA1 e CA3
principalmente), córtex entorrinal, córtex perirrinal e giro para-hipocampal.
Sendo que as lesões no córtex perirrinal como em CA1 e CA3, levam à déficits
agudo de memória.
Papel do Diencéfalo na Consolidação da Memória
- Tanto o tálamo (núcleo anterior e núcleo dorso-medial) como o hipotálamo
(região dos corpos mamilares) participam no processo de consolidação da memória.
- Como já descrito na seção referente ao sistema límbico, o circuito de Papez
esta diretamente relacionado com estruturas que participam diretamente do
processo de consolidação da memória, mostrando que esse sistema de armazenamento
de informações sobre influencia direta do sistema relacionado com as emoções.
Observar anatomicamente as estruturas hipocampais: fimbria, giro denteado,
cornos de Amon, subículo e córtex entorrinal. Fisiologicamente o circuito
interno do hipocampo esta interconectado com o córtex entorrinal. Neurônios do
córtex entorrinal enviam axônios para os dendritos de células granulares (fibras
musgosas) realizando sinapses com células piramidais em CA3. Estas células em
CA3 projetam-se para dendritos nas células piramidais em CA1 (colaterais de
Schaffer) e CA2. Os axônios de CA1 projetam-se para o subículo ( subículum
). O subículo envia novamente projeções para o córtex entorrinal formando o
circuito interno hipocampal. Sobre este sistema atuam vias que interconectam
estruturas límbicas, fórnix, complexo amigdalóide, núcleo accúmbens.
Principais conexões aferentes e eferentes da formação hipocampal e
estruturas adjacentes.
*Síndrome de Korsakoff: doença caracterizada por confusão mental,
confabulações, déficits graves de memória e apatia. Geralmente resulta do
alcoolismo crônico e ou deficiência de tiamina.
Memória de Trabalho (Curta Duração)
- As memórias de curta duração implicam em sinapses simples, rotineiras que
ocorrem dentro do sistema envolvendo os cornos de Amon, córtex entorrinal, giro
denteado e subículo.
- Para que haja consolidação da memória mecanismos moleculares, sinápticos
estão envolvidos: LTP (Long-Term Potentiation) – este termo refere-se à somação
temporal e espacial de sinapses para causarem LTP e consequentemente,
consolidação da memória.
- A LTP refere-se a modulações físicas e químicas das sinapses.
- A LTP une dois impulsos que, juntos, despolarizam a membrana pós-sináptica.
Por exemplo: quando um indivíduo sente o cheiro e visualiza uma flor – somente
um desses dois estímulos será necessário para que o potencial pós-sináptico seja
deflagrado.
- Quando a sinapse for infrequente (via pouco estimulada) o glutamato ativará
os receptores AMPA (preferencialmente) – canais de sódio – enquanto que os
receptores NMDA continuaram bloqueados pelo magnésio. Após uma série
condicionante de estímulos (repetições) ocorrerá a liberação de glutamato
suficiente para a ativação dos canais de cálcio NMDA, com desbloqueio do íon
magnésio. Essa despolarização sustentada causará aumento de íons cálcio no meio
intracelular com ativação da proteína quinase C (PKC): aumentando assim a
eficiência dos canais AMPA e também sua expressão na membrana celular. A
produção de NO pelo meio intracelular pós-sináptico, facilitará retrogradamente,
a liberação do glutamato pela membrana pré-sináptica.
Memória de Trabalho
- Trata-se de uma região cerebral responsável pela manutenção das informações
utilizadas rotineiramente, guiando comportamentos em andamento.
- Questiona-se sobre a influencia do hipocampo nessa memória de trabalho.
- Sabemos no entanto que o hipocampo é estrutura vital para a consolidação da
memória.
- As memórias declarativas são mais facilmente armazenadas quando associamos
à informação, aspectos emocionais, formando a chamada memória relacional.
Obs. Devemos apenas lembrar que as memórias sobre procedimentos motores
são armazenadas no striatum – Circuito do Putâmen.
Memória de Longa Duração exige uma maior quantidade de regiões corticais
ativadas como demonstrada na figura abaixo.
Memória de Trabalho – Córtex Cerebral Pré-Frontal
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