ORGANIZAÇÃO DO SISTEMA NERVOSO
- O sistema nervoso é
tratado por neurocientistas multidisciplinares.
- Há 7000 anos já
realizavam trepanações no intuito terapêutico para cefaléias com saída dos “maus
espíritos”, e o mais interessante: os pacientes sobreviviam.
- Após a
morte os corpos dos mortos eram preservados com remoção do encéfalo pela narina.
- Grécia antiga: cabeça continha olhos, boca, narinas (relacionada às
sensações desde então).
- Hipócrates: sensações e inteligência era
atribuída ao cérebro. - Império Romano: Galeno – observou os
ventrículos cerebrais e relatou a presença de fluído nestes locais – hipótese:
“o corpo funciona pelo balanço dos fluídos e os nervos seriam ocos e, por eles,
os fluidos atingiriam a periferia”. - Cérebro: macio e relacionado às
sensações. - Cerebelo: rígido e responsável pelos comandos
musculares. - René Descartes: a mente era uma entidade
espiritual que recebia sensações e comandava movimentos por meio da pineal.
- Divisão do cérebro em substância branca e substância cinzenta. -
Século XVIII: os músculos contraiam sob estímulo elétrico. O cérebro
funcionaria com energia elétrica. - As informações sensoriais entravam na
medula (aferencia) pelo corno posterior enquanto que a movimentação saia pelo
corno anterior (neurônio motor inferior) – eferência.
As divisões que constituem o sistema nervoso são constituídas da seguinte
forma:
Sistema Nervoso Central (SNC) Encéfalo = Cérebro, Cerebelo
e Tronco Encefálico (Mesencéfalo, Ponte e Bulbo). Medula Espinhal =
considerada parte do sistema nervoso central.
Sistema Nervoso Periférico (SNP) Nervos
Raquidianos: 31 pares de nervos raquidianos subdivididos em 8 pares de nervos
cervicais, 12 pares de nervos torácicos, 5 pares de nervos lombares, 5 pares de
nervos sacrais e 1 par de nervo coccígeo. A medula espinhal está protegida por
33 vértebras subdivididas em 7 vértebras cervicais, 12 vértebras torácicas, 5
vértebras lombares, 5 sacrais e 4 coccígeas. Nervos e Gânglios são parte
integrante do sistema nervoso periférico, sendo os gânglios um conjunto de
núcleos de neurônios, fora do sistema nervoso central. Já os nervos em alguns
momentos organizam-se formando plexos nervosos, constituindo uma complexa rede
nervosa que inerva uma série de músculos. Anatomicamente estudamos os plexos
cervicais, braquiais, lombares e sacrais. O constituinte principal celular
do sistema nervos central é o neurônio: o sistema nervoso humano possui cerca de
100 bilhões de células nervosas – são interligados constituindo uma verdadeira
rede de células.

Doutrina Neuronal: Nissl descobriu uma coloração basofílica que envolve o
núcleo dos neurônios sendo denominado corpúsculos de Nissl. Golgi descobre mais
tarde que mergulhando o tecido nervoso em solução de cromato de prata o neurônio
assume uma coloração negra em toda sua extensão. A partir destas técnicas de
colorações foi possível a observação dos componentes neuronais: - Corpo
Celular, Soma ou Pericário; - Axônios e Dendritos denominados conjuntamente
Neuritos; - Ramificações dos axônios formam ângulos retos (“cabos”), com
preservação do diâmetro do axônio; - Os dendritos são curtos,
diferenciando-se dos axônios. Até então não imaginava-se que os dendritos
poderiam transmitir informações, eram denominados de “antenas”, já que só
receberiam as informações. Hoje, porém, sabemos que os dendritos podem sim
transmitir informações, formando sinapses com axônios, com corpos celulares ou
mesmo com outros dendritos. É possível também que os dendritos conectem-se com
células da glia, discutidas mais adiante.Ramon e Cajal: Cajal, contrariamente a
Golgi, postulou que os neurônios não se tocariam, contrariando o modelo de
continuidade. Esta observação feita por Ramon e Cajal foi denominada doutrina
neuronal
.
Neurônio Prototípico: a membrana neuronal separa o meio interno do meio
externo, realizando a manutenção do ambiente intracelular. A característica da
membrana plasmática varia conforme a região do neurônio, sendo diferente no
soma, no axônio, no cone de implantação (Hillock) e nos dendritos. O
citoesqueleto neuronal dá forma ao neurônio. O corpo celular é rico em retículo
endoplasmático rugoso, já que há uma intensa síntese protéica. As proteínas que
ficarão no citossol são sintetizadas por ribossomos livres, já aquelas que
residirão na membrana plasmática são sintetizadas pelo retículo endoplasmático
rugoso. O retículo endoplasmático liso controla a concentração intracelular de
cálcio, muitas vezes o armazenando. O aparelho de Golgi realiza secreção e
distribuição protéica. As mitocôndrias são responsáveis pela respiração celular,
contendo citocromos que participam da cadeia respiratória. O ciclo de Krebs,
como estudado na bioquímica também também ocorre dentro da mitocôndria. O
citoesqueleto são as “amarras” dos neurônios, dando forma característica aos
neurônios: são compostos por microtúbulos, microfilamentos e neurofilamentos.
Os axônios possuem uma região de origem com o corpo celular denominado cone
de implantação ou Hillock: exibem poucos retículos endoplasmáticos rugosos, sua
membrana plasmática é diferente comparada àquela que envolve o corpo celular,
isto é, apresentam constituição protéica diferenciada. O axônio pode apresentar
desde milímetros até mais de um metro. Suas ramificações são colaterais,
formando ângulos retos, o que os diferenciam dos dendritos. Quanto à espessura,
observamos que quanto mais fino for o axônio mais rápido será o impulso elétrico
transmitido. As porções terminais dos axônios são denominadas botões terminais:
regiões onde formam-se as sinapses – sendo únicas ou múltiplas
.
Vale lembrar que na espécie humana há mais sinapses químicas (com a
participação de neurotransmissores – mais elaboradas) comparada às sinapses
elétricas (mais abundante em animais inferiores) compostas por junções do tipo
gap e conéxons (poros que interconectam neurônios). Quanto à transmissão do
potencial de ação, até então imaginávamos apenas possuir fluxos anterógrados e
sinapses anterógradas seguindo um único sentido: corpo celular – axônio. Estudos
recentes, no entanto, mostraram a existência de sinapses retrógradas, isto é,
alguns neurônios podem transmitir potenciais de ação no sentido inverso: axônio
– corpo celular – dendritos. Mais do que isso, modelos de sinapses alternativas
tem sido descritas como as sinapses efáticas onde a freqüência do impulso
determina uma série específica de neurônios a serem ativados.
Transporte axoplasmático. O corpo celular sintetiza proteínas que são
conduzidas pelos axônios ou para ficarem nos próprios axônios ou ainda para
participarem das sinapses que ocorrem nos botões terminais. Sem o soma o axônio
não sobrevive, logo uma lesão do corpo celular causará uma degeneração axonal
denominada degeneração Walleriana. O transporte anterógrado conta com a
participação de uma proteína denominada cinesina enquanto que o transporte
retrógrado conta com a proteína dineína. Hoje em dia, consideramos que as
células “auxiliares” dos neurônios, denominadas células da glia, possuem a
capacidade de transmitirem potenciais de ação, logo, algumas sinapses ocorreriam
entre neurônios e células da glia – dizemos “doutrina glial” a esse fenômeno.
Os dendritos são conjuntamente denominados árvore dendrítica, possuidores de
espinhos dendríticos – aumentando assim sua superfície de contato com outras
estruturas. Algumas disfunções cognitivas são atribuídas a diminuição dos
espinhos dendríticos. Classificação dos Neurônios 1. Baseada em
números de neuritos – um único neurito forma um neurônio unipolar ou
pseudounipolar. Dois neuritos são ditos bipolares. Três ou mais neuritos são
considerados como multipolares. 2. Baseada em dendritos – células piramidais
ou células estreladas, possuidoras de espinhos ou ainda não-espinhosas. 3.
Baseada em conexões – neurônios sensoriais primários, neurônios motores
(conectam a célula nervosa diretamente com músculos) ou ainda interneurônios
(conexão intra-neuronal – neurônio-neurônio). 4. Baseada no comprimento do
axônio: longos (neurônios do tipo I de Golgi ou neurônios de projeção), curtos
(neurônios do tipo II de Golgi ou neurônios de circuito local). 5. Baseada
no neurotransmissor que o neurônio produz – Acetilcolina (neurônios
colinérgicos), dopamina (neurônios dopaminérgicos), peptídeos (neurônios
peptidérgicos), serotonina (neurônios serotoninérgicos), histamina (neurônios
histaminérgicos), noradrenalina (neurônios noradrenérgicos), purinas (neurônios
purinérgicos), dentre outros. Células da Glia – Macróglia:
derivados do tubo neural (neuroectoderme) – compostos por astrócitos,
oligodendrócitos e ependimárias. Micróglia: derivados da medula óssea
– são macrófagos neuronais. Neurópilo: espaço no sistema nervoso
composto pela ausência do neurônio, das células da glia e da barreira
hematoencefálica.
Astrócitos: são classificados como protoplasmáticos (presentes na
substância cinzenta) ou fibrosos (presentes na substância branca). Preenchem os
espaços entre os neurônios, dando apoio anatômico e fisiológico às células
nervosas. Possuem “pés vasculares” que conectam os vasos sangüíneos aos
neurônios. Possuem receptores para neurotransmissores podendo realizar sinapses
com neurônios ou grupos neuronais específicos. Os astrócitos realizam
tamponamento do potássio, regulando assim a concentração extracelular desse íon,
evitando a morte neuronal por intoxicação hipercalêmica
.
Oligodendrócitos: são células com a capacidade de produzir mielina no
sistema nervoso central. Possuem correspondentes no sistema nervoso periférico
denominado células de Schwann. Os nódulos de Ranvier são fenestrações na mielina
que propiciam uma condução rápida do potencial de ação – condução saltatória. Os
oligodendrócitos, ao contrário das células de Schwann, mielinizam diversos
axônios enquanto as células de Schwann apenas um axônio.
Ependimárias: são células que envolvem o canal medular e os
ventrículos encefálicos, preenchidos por líquor. Atapetam os ventrículos
cerebrais.
Micróglia: são células macrofágicas.
Obs. O sistema nervos central esta organizado em regiões topográficas
formando verdadeiros mapas codificadores, isto é, há um “mapa” celular dentro do
sistema nervoso central que quando ativado, codifica o tipo de sensação que esta
sendo recebida – dessa forma há uma mapa somatotópico, tonotópico, retinotópico,
e assim por diante. Estes mapas foram identificados e classificados por Penfield
– “Humúnculo Sensorial e Humúnculo Motor de Penfield”.
O Cérebro SEMPRE em destaque na literatura mundial –
Edição da Revista TIME, Janeiro de 2007.
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