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NEUROANATOMIA - VIAS AFERENTES


Antes de iniciarmos a discussão sobre as vias aferentes propriamente ditas devemos comentar a respeito da conexão interhemisférica que o sistema nervoso central (cérebro em si) possui. No centro branco medular encontramos as fibras de projeção e as fibras de associação.

Fibras de Associação Intrahemisférica


1. Fascículo de Cíngulo: são fibras que unem o lobo frontal ao temporal passando pelo lobo parietal.

2. Fascículo Longitudinal Superior: também denominado fascículo arqueado - interliga o lobo frontal, parietal e occipital.

3. Fascículo Longitudinal Inferior: une o lobo occipital ao temporal.

4. Fascículo Unciforme: liga o lobo frontal ao temporal.

Fibras de Associação Interhemisférica


1. Comissura do Fórnix

2. Comissura Anterior: interliga os lobos temporais.

3. Corpo Caloso: maior comissura cerebral, transferindo informações entre os dois hemisférios cerebrais. Sua secção permite o aprendizado de coisas diferentes ao mesmo tempo.

4. Comissura Posterior

Fibras de Projeção


1. Fórnix

2. Cápsula Interna: acima da corona radiada sua perna posterior possui radiação auditiva e visual além do trato corticoespinhal.

Grandes Vias Aferentes


Estruturas que são comuns a todas as vias:

- Receptores: terminações nervosas sensíveis ao estímulo que caracteriza a via.

- Trajeto Periférico: compreende um nervo espinhal ou craniano e um gânglio sensitivo anexo ao nervo.

- Trajeto Central: passa no interior do sistema nervoso central formando feixes, fascículos ou lemniscos.

- Área de Projeção Cortical: local onde os feixes no interior do sistema nervoso central terminam, podendo estar presente no córtex cerebelar ou cerebral.

Observamos ainda neurônios tipo I (gânglios) - possui prolongamentos periféricos que interligam o receptor e prolongamentos centrais que ligam a periferia ao sistema nervoso central. Os neurônios do tipo II localizam-se na coluna posterior da medula, entrando na formação dos tratos, lemniscos e feixes. Por fim, os neurônios do tipo III localizam-se no tálamo originando axônios que chegam ao córtex cerebral pela radiação talâmica e corona radiata.

1. Vias de Dor e Temperatura

- São terminações nervosas livres (já discutidas no capítulo 1).

- Para a nocicepção (sensação dolorosa) possuímos o tracto espino-talâmico sendo dividido fisiologicamente e anatomicamente em dois outros tracto: neoespinotalâmico e paleoespinotalâmico.

- Tracto Neoespinotalâmico:

- Neurônio I: encontra-se na divisão lateral da medula (ramo ascendente).

- Neurônio II: penetra a medula (lâmina I de Rexed), sofre decussação formando o tracto espinotalâmico lateral.

- Neurônio III: parte do tálamo (núcleo ventral posterior lateral) para as áreas somatosensoriais (área de Broadman 3,1,2).

- Tracto Paleoespinotalâmico:

- Neurônio I: presente na divisão lateral da medula (igual ao tracto neoespinotalâmico).

- Neurônio II: penetra a medula na lâmina V de Rexed sofrendo decussação formando o tracto espinoreticular.

- Neurônio III: parte do sistema reticular ativador ascendente formando as fibras retículotalâmicas indo para os núcleos intralaminares do tálamo.

Via Espinotalâmica Via Paleoespinotalâmica Via Neoespinotalâmica
Neurônio II Lâmina V Rexed Lâmina I Rexed
Decussação Fibras Cruzadas e Não Cruzadas Fibras Cruzadas
Tracto Medular Espino-Reticular Espinotalâmico-Lateral
Trajeto Espino-Retículo-Talâmico Espino-Talâmico
Projeção Talâmica Núcleos Intralaminares Núcleo Ventral Posterior Lateral do Tálamo
Função Dor Crônica Dor Aguda - Rápida - Bem localizada


2. Via da Propriocepção Consciente, Tato Epicrítico e Vibração


As vias relacionadas a estas modalidades de sensações são denominadas coluna dorsal lemnisco-medial e coluna dorsal lemnisco-lateral. Esta via lemniscal localiza o tato epicrítico, nos informando o local exato onde a pele esta sendo tocada, por exemplo. O neurônio I localiza-se no gânglio, lateral à medula, recebendo informações da pele e dos órgãos tendinosos de Golgi e fusos neuromusculares; o neurônio II esta localizado no corno posterior na substância cinzenta da medula espinhal enquanto que o neurônio III esta no tálamo. A decussação destas vias ocorre no bulbo (núcleo grácil e cuneiforme).

3. Via Proprioceptiva Inconsciente


Na via da propriocepção inconsciente há apenas dois neurônios e não os três como vimos até então. O neurônio III faria a interconexão entre o tálamo e a região cortical correspondente àquela modalidade de sensação, no entanto, como esta via não chega ao tálamo, não há o terceiro neurônio. O neurônio I localiza-se no gânglio lateral à medula espinhal (intergrando as informações musculares à medula); o neurônio II integra a medula ao cerebelo formando as vias espinocerebelares anteriores e espinocerebelares posteriores (vale destacar que para a via espinocerebelar anterior o neurônio II esta na medula, já para a via espinocerebelar posterior o neurônio II esta no bulbo). A via espinocerebelar posterior é responsável pela sensibilidade da pele, dos músculos e visceral (descritas no sentino póstero-anterior do corno medular), ipsilateralmente, não decussando no momento em que entra na medula. Já a via espinocerebelar anterior, decussa logo que entra no corno medular, ascendendo para o cerebelo contralateralmente ao estímulo.

4. Via Óptica


A retina contém receptores denominados cones e bastonetes, discutidos com detalhes pela neurofisiologia, porém para os neuroanatomistas, são os neurônios I da via óptica. A partir daí a informação visual vai para as células bipolares, representando o neurônio II, células horizontais e amácrinas são estimuladas enviando os sinais para as células ganglionares, neurônios III. Daí a informação atinge o tálamo, mais precisamente o corpo geniculado lateral (neurônio IV) com saída para a radiação óptica para o lobo occipital (área de Broadman 17).

5. Via Auditiva


Na via auditiva o som é inicialmente percebido por estruturas presentes no ouvido interno (cóclea) que contém células ciliadas (estereocílios) que movimentam-se na presença do som deslocando a membrana basilar que, por sua vez, contém o órgão de Corti (receptor sensorial). Daí o estímulo chega no gânglio espiral (neurônio I) seguindo para o neurônio II presente no núcleo coclear (ponte). Há decussação parcial da via no corpo trapezóide seguindo para o colículo inferior do mesencéfalo (neurônio III) fazendo conexão com o corpo geniculado medial do tálamo. Do tálamo a via auditiva segue pelo giro transverso temporal ou giro de Heschl para o córtex auditivo, área de Broadman 41 e 42.

6. Via Gustativa


Dentre os sabores que reconhecemos descrevemos: amargo, doce, azedo, salgado e umami ("delicioso") dado pelo glutamato. Cada alimento ativa uma combinação de estímulos tornando o alimento com sabor único. O gosto e o olfato determinam, juntos, as sensações provocadas pelo estímulo. A fenômeno da gustação inicia-se na língua através das regiões atribuídas a cada uma das modalidades de sabores. A língua é recoberta por uma série de papilas circunvaladas, filiformes e fungiformes. Cada papila possui uma série de botões gustativos (receptores gustativos).

Cada receptor gustativo possui células basais ("células tronco"), células gustativas (não são neurônios mas células epiteliais) e axônios gustativos aferentes. Mesmo não sendo neurônios as células gustativas são receptores que ativam os axônios aferentes que levam a despolarização das células nervosas que inervam essa região (nervos cranianos VII, IX e X). Daí a informação segue para o bulbo (tronco encefálico - região do núcleo do tracto solitário) seguindo para o tálamo. A partir do tálamo a gustação é retransmitida para o córtex cerebral (área 43 de Broadman). Lesões nos núcleos talâmicos de retransmissão originam distúrbios como ageusia, hipogeusia, hipergeusia ou disgeusia.

7. Olfato


O olfato combina-se com a gustação, como comentado, para determinar a qualidade da sensação percebida. O olfato nos alerta para perigos como comida estragada, incêndios, venenos,etc. O olfato, desde os primórdios, é importante comunicação sexual para os seres de diversas espécies. Daí o importante papel dos feromônios, ainda muito discutido e pouco conhecido na espécie humana.

Entre os órgãos do olfato destacamos: epitélio olfativo composto pelas células receptoras olfativas (são neurônios I - presente no tecto da cavidade nasal), células basais (células tronco propriamente ditas) e células de suporte (semelhante às células da glia). Neste local há neurogênese. O neurônio II situa-se no bulbo olfatório seguindo pelo tracto olfatório. A partir do tracto olfatório o sinal pode seguir dois caminhos distintos: corpo mamilar através da estria olfatória medial ou úncus através da estria olfatória lateral.

As vias do olfato seguem, após despolarizarem as células receptoras olfativas, pelo nervo olfatório (I par de nervo craniano) para o bulbo olfatório (glomérulo olfativo), tálamo e córtex órbito-frontal.

Lesões nestas vias desencadeiam alterações denominadas anosmia, hiposmia, hiperosmia ou disosmia.

• Neuroanatomia - Vias Aferentes - (Imagens parte I)

• Neuroanatomia - Vias Aferentes - (Imagens parte II)

• Neuroanatomia - Vias Aferentes - (Imagens parte III)

• Neuroanatomia - Vias Aferentes - (Imagens parte IV)

• Neuroanatomia - Vias Aferentes - (Imagens parte V)