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TRONCO ENCEFÁLICO


Mesencéfalo

 Localizado entre ponte e cérebro. É atravessado pelo aqueduto cerebral (estreito canal, responsável pela união do III e IV ventrículos);
 A porção dorsal do mesencéfalo em relação ao aqueduto é o tecto do mesencéfalo;
 Ventralmente, há dois pedúnculos cerebrais; estes se dividem em: tegumento (parte dorsal, predominantemente celular) e base do pedúnculo (ventral, formada de fibras longitudinais);
 Seccionando-se transversalmente o mesencéfalo, vê-se que o tegumento é separado da base por uma substância escura, a substância negra (formada por neurônios que contém melanina). Na superfície do mesencéfalo, correspondendo à substância negra, há dois sulcos longitudinais: o lateral do mesencéfalo e o medial do pedúnculo cerebral. Esses sulcos marcam na superfície o limite entre base e tegumento do pedúnculo cerebral;
 O tecto do mesencéfalo apresenta quatro eminências arredondadas: os colículos superiores e inferiores, que são separados por dois sulcos perpendiculares em forma de cruz. Cada colículo se liga ao corpo geniculado do diencéfalo através do braço do colículo inferior e do braço do colículo superior;
 Vistos ventralmente, os pedúnculos cerebrais são dois grandes feixes de fibras que surgem da parte superior da ponte e penetram profundamente no cérebro, delimitando a depressão triangular denominada fossa interpeduncular; o fundo dessa fossa apresenta pequenos orifícios para passagens de vasos e é denominada substância perfurada posterior;
 A substância cinzenta do mesencéfalo possui os núcleos dos nervos cranianos III, IV e V e substância cinzenta própria do mesencéfalo, que possui o núcleo rubro, a substância negra, o núcleo do colículo inferior, o colículo superior e a área pré-tectal;
 Na substância branca, encontram-se as fibras longitudinais que são ascendentes, descendentes e de associação; e fibras transversais;
 Apresenta aproximadamente 2 cm de comprimento;
 Cavidade do mesencéfalo: aqueduto cerebral.

Formação reticular

Cavidade: aqueduto cerebral

*MACHADO; 2001.


Ponte

 Localizada entre bulbo e mesencéfalo, disposta ventralmente ao cerebelo, repousando sobre a parte basilar do osso occipital e o dorso da sela túrcica do esfenóide;
 A base da ponte é situada ventralmente. Apresenta estriação transversal devido aos numerosos feixes de fibras transversais que percorrem por ela. Tais fibras se unem de cada lado formando o pedúnculo cerebelar médio (ou braço da ponte), este, penetra no hemisfério cerebelar correspondente;
 Na superfície ventral da ponte (eixo longitudinal) encontra-se o sulco basilar, onde é alojada a artéria basilar;
 A ponte é separada do bulbo pelo sulco bulbo-pontino;
 A parte dorsal da ponte não apresenta demarcação com a parte dorsal da porção aberta do bulbo, constituindo ambas, o assoalho do IV ventrículo;
 O tegumento da ponte tem estrutura muito semelhante ao do bulbo e do tegumento do mesencéfalo; já a base tem estruturas muito diferentes das outras áreas do tronco encefálico. Entre o tegumento e base da ponte encontram-se fibras mielínicas transversais formando uma estrutura denominada corpo trapezóide;
 Na parte ventral ou base da ponte, encontram-se fibras longitudinais dispostas nos tractos córtico-espinal, córtico-nuclear e córtico-pontino; e também fibras transversais e núcleos pontinos;
 A parte dorsal assemelhasse ao bulbo e ao tegumento do mesencéfalo com os quais continua. Apresenta fibras ascendentes, descendentes e transversais, além de núcleos de nervos cranianos e substância cinzenta da ponte;
 Na substância cinzenta da ponte estão os núcleos dos nervos cranianos (núcleos do V, VI, VII e VIII) e substância cinzenta própria da ponte (núcleos pontinos, olivar superior, núcleo do corpo trapezóide e do lemnisco lateral);
 A substância branca é composta por fibras longitudinais ascendentes, descendentes e de associação e também por fibras transversais;
 Cavidade da ponte: quarto ventrículo.

Sinopse das principais estruturas da ponte*

Formação reticular

Cavidade –IV ventrículo

*MACHADO; 2001.

Bulbo

 É chamado de bulbo raquídeo ou medula oblonga;
? Tem forma de tronco de cone;
 Continua caudalmente com a medula espinal; não existe demarcação nítida entre medula e bulbo; considera-se que seja ao nível do forame magno do osso occipital. O limite superior do bulbo é o sulco bulbo-pontino;
 Mede aproximadamente 3 cm de comprimento, 2 cm transversal (em sua parte mais larga) e sagitalmente 1,3 cm de espessura;
 A superfície do bulbo é percorrida longitudinalmente por sulcos paralelos que continuam com os sulcos da medula; estes sulcos delimitam as regiões ventral, dorsal e lateral do bulbo;
 Região ventral: nela é encontrada a fissura anterior, que se estende ao longo de toda a medula, termina na borda inferior da ponte, no forame cego. De cada lado da fissura mediana há a pirâmide, que é uma eminência alongada formada por feixe compacto de fibras descendentes córtico-espinais; anatomicamente, essas fibras são chamadas de tracto córtico-espinal ou piramidal;
 Região lateral: está entre os sulcos lateral anterior e lateral posterior. Sua parte superior é amplamente proeminente, sendo chamada de oliva oval (mede aproximadamente 1,25 cm de comprimento. É formada por uma grande massa de substância cinzenta). Sua parte inferior tem a continuação do tracto córtico-espinal lateral e espino-cerebelar dorsal;
 Região posterior: essa região é dividida em níveis inferior e superior. A parte inferior é uma continuação para cima dos fascículos grácil e cuneiforme, que terminam em duas massas de substância cinzenta que são os núcleos grácil e cuneiforme. Esses núcleos estão situados na parte mais cranial dos respectivos fascículos, onde determinam o aparecimento de duas eminências: o tubérculo do núcleo grácil e o tubérculo do núcleo cuneiforme, estes, afastam-se lateralmente como os dois ramos de um “V”, e, gradualmente, continuam para cima com o pedúnculo cerebelar inferior (ou corpo restiforme) que é formado por um grosso feixe de fibras que forma as bordas laterais da metade caudal do IV ventrículo, fletindo-se dorsalmente para penetrar no cerebelo. Esse canal se abre para formar o IV ventrículo. A parte superior é o pedúnculo cerebelar caudal, que é uma crista arredondada entre o IV ventrículo e as raízes dos nervos vago e glossofaríngeo. Nessa região há o sulco mediano dorsal ou posterior, que termina à meia altura do bulbo. Entre esse sulco e o sulco lateral posterior está situada a área posterior do bulbo;
 A organização caudal interna do bulbo é semelhante a da medula, mas à medida que se examinam secções mais superiores, notam-se diferenças cada vez maiores, e, em nível olivar, já praticamente não existe semelhança. Essas modificações ocorrem principalmente devido ao aparecimento de novos núcleos próprios do bulbo, a decussação das pirâmides, a decussação dos lemniscos e a abertura do IV ventrículo;
 A substância cinzenta do bulbo é dividida em substância cinzenta homóloga ou núcleos de nervos cranianos, (onde encontra-se o núcleo ambíguo, o núcleo do hipoglosso, o núcleo dorsal do vago, os núcleos vestibulares, o núcleo do tracto solitário, o núcleo do tracto espinal do nervo trigêmeo e o núcleo salivatório inferior) e substância cinzenta própria do bulbo, onde encontram-se os núcleos grácil e cuneiforme, o núcleo olivar inferior e os núcleos olivares acessórios dorsal e medial;
 A substância branca do bulbo é composta por fibras transversais (fibras arqueadas internas e externas) e fibras longitudinais, que são divididas em ascendentes, descendentes e de associação. As ascendentes são as vias dos fascículos grácil e cuneiforme, lemnisco medial, tracto espino-talâmico lateral, tracto espino-talâmico anterior, tracto espino-cerebelar anterior, tracto espino-cerebelar posterior e pedúnculo cerebelar inferior (ou corpo restiforme). As vias descendentes são as vias do tracto córtico-espinal, tracto córtico-nuclear, tractos extrapiramidais, tracto espinal do nervo trigêmeo e tracto solitário. As vias de associação são formadas por fibras que constituem o fascículo longitudinal medial;
 A formação reticular bulbar ocupa uma grande área. Nessa região, há o centro respiratório, o centro vaso-motor e o centro do vômito;
Cavidade do bulbo: IV ventrículo e canal central do bulbo.

Sinopse das principais estruturas do bulbo*

* MACHADO; 2001.

Disposição das substâncias branca e cinzenta no tronco encefálico

No que se refere à estrutura, o tronco encefálico apresenta semelhança com a medula, porém difere em alguns aspectos.
A substância cinzenta, que na medula é contínua, no tronco encefálico dispõe-se fragmentada no sentido longitudinal, ântero-posterior e látero-lateral. Dessa forma, há formação de massas isoladas de substância cinzenta que constituem os núcleos dos nervos cranianos e outros núcleos próprios do tronco encefálico. Assim, é possível dizer que, no sistema nervoso central, um núcleo é um acúmulo de corpos neuronais com estrutura e função parecidas.
Quanto à substância branca, assim como em outros locais do SNC, ela apresenta um grande número de fibras nervosas mielínicas. É através dessas vias que os impulsos percorrem as muitas áreas do SNC e se organizam compondo os chamados tractos e fascículos.