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MENINGOCOCCEMIA

    É causada pela bactéria Neisseria meningitides, diplococo aeróbico, gram negativo, classificado em pelo menos 13 sorogrupos. Essa bactéria atinge a circulação sanguínea através da nasofaringe e em alguns pacientes pode permanecer neste local (carreadores assintomáticos) ou produzir sintomas respiratórios leves.
Na corrente sanguínea produz sinais de bacteremia, sepse (infecção em tecidos ou órgãos) fulminante ou localizada. Acredita-se que uma deficiência do complemento predisponha quadros mais graves da doença.

    1. Aspectos Clínicos

    Os sintomas mais clássicos da meningococcemia são: febre, erupções cutâneas (petéquias), elevada leucocitose e meningite.
Quando limitada à nasofaringe, apresenta sintomas locais ou até mesmo assintomáticos.
Na forma septicêmica grave, caracterizada por início súbito, com calafrios, febre alta (39o C ou mais), dores pelo corpo, prostração, mal-estar e petéquias.
Essa forma grave pode deixar seqüelas como: surdez parcial ou completa, uni ou bilateral, necrose profunda com perda de substância de área externa, pericardite, complicações neurológicas, paralisia, artrite e hidrocefalia.

Paciente apresentando petéquias causadas pela meningococcemia

2. Diagnóstico laboratorial

 Sangue: importante para pesquisa do agente etiológico (isolamento). Realizando-se hemocultura (1 até 3 amostras) pode-se fazer os seguintes testes:

    - Hemograma completo, VHS, NBT, Plaquetas.
    - TS, TTP, TP, RC, TRP, AP, PDF.
    - Hemocultura e antibiograma.
    - Bacterioscopia com contagem de leucócitos parasitados por campo: contagem em 03 campos.
    - Glicemia
    - Complemento C5, C6, C7 e C8 e citocininas.
    - Fator Alfa de Necrose tumoral (TNF).
    - Citometria
    - Citologia
    - Glicose
    - Proteínas
    - Transaminases
    - Bacterioscopia com contagem de células parasitadas
    - Cultura e antibiograma

 Pele: raspado da lesão pode evidenciar a presença do agente.

OBSERVAÇÃO: Neisseria meningitidis crescem em ambiente com CO2 e umidade. Os tubos com meio de cultura semeados devem ser colocados em pé dentro de uma lata que, ao ser fechada, deverá conter uma vela acesa presa a parede. Incubar em estufa a 37o C por 18 – 24 horas.

Material a ser colhido
Tipo de exame
Meningococcemia
Meningite com manifestação cutânea
Meningite sem manifestação cutânea
Sangue
Cultura
+++
++
+
Licor
Cultura
++
++++
++++
Material das lesões
Cultura
+
+
_______
Licor
Bacterioscopia
+
+
++
Material das lesões
Bacterioscopia
+
+++
+
Soro
Imunoeletroforese
++
+
++
Sangue
Hemaglutinação
++
++

> Hemaglutinação: pesquisa de anticorpos.
> A quantidade de ++ indica a importância do diagnóstico para cada doença.

3. Tratamento

    O tratamento inicial para meningococcemia é associar Cefalosporina de 3o geração com Ampicilina, chamado de DOSE DE ATAQUE:
- CEFTRIAXONE
- AMPICILINA
    Essa associação é mantida até que o teste de sensibilidade seja realizado e comprove que a bactéria não apresenta resistência. Têm ocorrido resistências da Neisseria meningitidis tipo B à AMPLICILINA e ao CLORANFENICOL. Caso a cultura mostre sensibilidade a AMPICILINA continuar com ela e suspender a Ceftriaxone E vice-versa.
    Além disso pode ser usado antitémicos e dexametasona, hidratação e oxigênio.

Meningoencefalites:

    Geralmente acompanhadas de febre, mal-estar, alterações do nível de consciência ou do comportamento; às vezes rigidez na nuca, náuseas, vômitos e convulsões. Raramente progridem para o coma. Pode haver sinais de lesão do neurônio superior (exagero dos reflexos tendinosos profundos, ausência dos superficiais, reflexos patológicos - Babinski e paralisias espásticas). O líquor não necessariamente apresenta aumento das proteínas ou pleiocitose linfomonocitária. A glicose é normal.